quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Cidade Invisível

Andei sumido, eu sei. Mas o trabalho me consome. No final de semana fiz um bate-volta no Rio de Janeiro para gravar entrevistas. Na verdade fui à Niterói, naquelas praias que ficam bem pra lá de Icaraí. Fiquei surpreso com a vista que se tem do Rio de Janeiro. A cidade estava tomada por uma fina névoa que deixava entrever apenas uma silhueta tênue dos pontos turísticos famosos. É um outro Rio. Meio mágico, insinuado em contornos cinza-azulados. Olhando assim aquele cenário, que parece ter sido construído com tapadeiras, acabo esquecendo a cidade real que ali está. Daquele ponto-de-vista não existe bala perdida, trânsito ou corrupção. Como nas Cidade Invíveis, de Italo Calvino, o ângulo sugere uma outra metrópole, inventada pelos homens para suportar as mazelas perpetradas pela cidade real.

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