segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Muito antigo

Adoro filmes antigos. Quero dizer, muito, muito antigos. Esses que estão passando na Cinemateca são contemporâneos do Gabinete do Doutor Caligari, de Robert Wiene (1919) - um clássico indiscutível do expressionismo. São filmes feitos nas primeiras décadas do século XX muito antes do cinema sonoro e, por isso mesmo, de grande riqueza plástica. A maioria das histórias que assisti até agora apresentam elementos trágicos, com heroínas em esgares de desesperos e homens cometendo assassinatos ou suicídios para catarse coletiva da platéia. Também chama a atenção a sensualidade presente em muitas cenas. Mulheres lânguidas se derramam de paixão. Homens se apaixonam perdidamente e (as coisas eram rápidas naquela época!) já propõem casamento. Lascivos calcanhares se insinuam. Mulheres com camisolas enlouquecem o público. Ninfetas fazem um sujeito perder a cabeça. No sábado assisti numa das sessões (com acompanhamento musical ao vivo) o filme A Alma do Cipreste(1921) onde o protagonista se enamora por uma ninfa e, desesperado de paixão, se atira para morrer nas pedras. Eles adoravam este tipo de tragédia. Aliás, no meio deste filme tem uma enxerto de filme pornográfico da época. Segundo o pessoal da Cinemateca, o filme foi enviado assim pela Biblioteca Americana e eles, obviamente, não puderam tirar a cena. E lá ficou.

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