terça-feira, 31 de julho de 2007

Cena final

Esta semana começou cinza para quem adora cinema. Perder, de uma tacada só, dois gênios do cinema é uma lástima. Bergman era um dos meus preferidos. Quantos filmes dele assisti num canto escuro do Bristol ou do Ponto de Cinema, em Porto Alegre. O mestre sueco soube, como poucos, transformar em imagens a angústia do ser humano. Expôs todos os seus fantasmas nas telas e, por tabela, os nossos também. Não se pode dizer que era uma diversão ir ao cinema para ver um Bergman. Era uma necessidade. "O Sétimo Selo", "Gritos e Sussuros", " Morangos Silvestres", "Sonata de Outono", "Fanny e Alexander": obras-primas inquestionáveis. Com Antonioni ainda tenho muito para aprender. Assisti poucos filmes dele: "Zabrinkie Point" e todos aqueles signos da nossa civilização indo pelos ares; "Profissão:Repórter", "A Noite", "Blow Up". Eu sei. É pouco para uma obra tão extensa. Sentiremos saudades dos mestres.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Palavras ao vento

Frequentemente ando pelas ruas de São Paulo e vejo pessoas falando sozinhas. E não estou falando daqueles maluquinhos que perambulam por aí. Falo de gente normal, que parece estar indo para o trabalho ou a caminho de casa. Muito estranho. Uma amiga já havia detectado este fenômeno. E os casos parecem que estão aumentando. Pensei algumas hipóteses para este surto de cabeças falantes:
1- Eles são iluminados e enxergam seres que eu não posso ver;
2- Eles estão usando fone de ouvido com bluetooth e eu não percebi;
3- Eu sou maluquinho e não consigo ver pessoas reais que conversam com eles;
4- A locura dos tempos que correm, a solidão, a falta de pessoas com vontade de escutar o outro fazem com que estas pessoas lancem palavras ao vento;
5- Melhor falar sozinho do que gastar saliva com gente burra;
6- Tá todo mundo endoidando mesmo e daqui a um tempo você vai me encontrar numa esquina de bate-papo com um ser invísivel.
Sei lá,muito estranho isso.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Livro de Areia

Pensei em chamar este blog de Livro de Areia. Mas alguém já havia pensado nisso antes. Claro! De qualquer forma fica o registro deste desejo. Há alguns meses sonhei com o Livro de Areia. Sério. Até fiz uma descrição dele. Olha só:
Sonhei com o Livro de Areia. Ele estava lá, na minha frente e se comportava da mesma forma que o conto de Borges. É incrível um sonho desses. Estou maravilhado. Não lembro em que circunstâncias eu estava. Só sei que eu e mais uma pessoa, que não reconheço, olhávamos o livro sobre a mesa. Quando abríamos, ele mostrava sempre um número de página diferente. Lembro bem dos detalhes das páginas. Elas não tinham só números e sim combinações de letras e números que nunca eram as mesmas ao abrir e fechar o livro. E o mais incrível: a minha imaginação acrescentou uma pitada a mais de surrealismo à criação do gênio. Além de mudar a numeração das páginas constantemente, o livro também mudava de forma! Isso mesmo. Ele adotava a forma de alguns livros que eu havia lido recentemente. Isso nem o Borges tinha pensado. A imagem do sonho ainda persiste na minha memória.

Primeiro

Primeiro post do Pena Ardida. Espero que arda nos olhos, confunda os sentidos, atropele a gramática e faça querer muito chope pra refrescar.